2 de julho de 2010

Copa do Mundo

Agora que o Brasil está fora da Copa, quem sabe consigo um tempo para escrever aqui, tudo ficará mais calmo, hoje a cidade parece que está mais tranquila e silenciosa, incrívelmente.

Não é só por causa da Copa do Mundo que estou sumida. A cabeça parece tonta só de pensar. É tanta coisa além da rotina de qualquer pessoa. Trabalho. Parto. Família. Obstetra. Pintura. Quarto. Reforma. Berço. Enxoval. Maternidade. Exames. Preparação. $$$$$. Amamentação. Cortina. Fralda. Parto humanizado. Meia de compressão. Alimentação. Vitaminas. Inalação. É agora penso por duas.

E parece que uma coisa depende da outra e nada anda como gostaria....

Com uma coisa andei essa semana. Há alguns dias, ou mais de 1 mês venho lendo sobre parto humanizado e profissionais em São Paulo e essa semana fui à consulta com outro GO mais adepto à essa filosofia.

O Dr. JV é um doce, calmo, tranquilo. Cheguei lá ansiosa, fui atendida depois de quase 3 horas de espera!!! Culpa do computador que não tinha registrado o horário da minha consulta e outra paciente e também porque ele atrasou atendendo uma paciente em trabalho de parto, mas quanto a isso eu estava tranquila, já sabia da possibilidade de acontecer, afinal bebês não marcam hora para nascer! Surpreendentemente fiquei feliz com o atraso, por ser sinal de que ele atende partos normais.

Entrei no consultório eufórica, ansiosa, com "pressa", com um envelope cheio de exames, anotações, dúvidas e sabendo que ainda havia pelo menos 6 pacientes aguardando. Ele tranquilo. Falou para eu me acalmar que ele não tinha pressa, que íamos esclarecer todas as minhas dúvidas.

Saí de lá com um certo alívio. Ele esclareceu minhas dúvidas e acho que encontrei nele as respostas que procurava, especialmente sobre parto normal / humanizado. Falamos finalmente sobre parto, porque meu GO anterior achava cedo falar sobre isso. Falamos sobre analgesia, doula, episiotomia, plano de parto, maternidades abertas ao parto humanizado, preparação para o parto, diabetes, pressão alta e também da minha trombose.

Tenho muita lição de casa. Uma delas diária, o uso da meia de compressão! Que horror! E para vesti-la? Acho que foi um parto (rs), minha mãe é testemunha da dificuldade, aperta tudo, não sobe, sobe demais, torce, aperta, machuca, mas ela será minha companheira inseparável nos próximos meses.

Agora tenho dois GO's e preciso escolher um, se é que já não escolhi né!

1 de julho de 2010

O texto foi publicado no Blog Mamíferas e fala sobre parto, achei interessante.

"Parto é sexo

por: Kalu

O obstetra e pesquisador Michel Odent provou que os hormônios presentes durante o nascimento são os mesmos liberados na hora do orgasmo. Assim como para fazer amor, parir exige um ambiente em que a mulher se sinta segura, não vigiada, seduzida por sons, cheiros e liberdade para adotar a posição que mais lhe satisfizer.

Existe um paralelo direto entre o parto e o sexo. Mas uma recomendação importante: nunca diga isso por aí. Afinal, vivemos em uma sociedade que parir é algo raro, talvez tanto quanto gozar. Fingir pode.

Vivemos em uma sociedade tão doente e sexualizada que as boas práticas sexuais são combatidas. Parto é uma extensão e reflexo da vida sexual de uma mulher, assim como um reflexo de sua cultura. Dar de mamar também. As mulheres preferem fingir orgasmo, sentem mais prazer em caber numa calça do que na hora do sexo. Se não vêem problema em mutilar o corpo para transfigurar-se com uma lipo ou um silicone, aceitar uma cirurgia para extração de um feto é mais rápido, planejado e teoricamente, indolor.

Em nossa sociedade, a medicalização também é algo bem vindo para sanar as dores existenciais. O corpo perde, desde cedo a habilidade de funcionar fisiologicamente e precisa sempre de uma ajuda externa. Me surpreende o número de mulheres com constipação intestinal. Mas em nossa sociedade fragmentada, sexo não tem relação com parto. Doença não tem relação com processos psicológicos. Para tudo, médico e remédio.

As mulheres não se tocam, as mulheres não conhecem seus corpos, as mulheres só conhecem a beleza das capas de revista, dos seios de silicone. Por isso o parto é algo estranho: ver sair o que elas nunca queriam que tivesse entrado por ali. Os seios de fora podem ser mostrados para o mundo, mas nunca sugados pelo filho.

Muita gente fala sobre as facilidades de nossas avós parirem. Acho que para elas também não era tão fácil diante da repressão sexual que viviam. O fato é que não havia escolha. Teria que sair por onde entrou ou lidar com a morte. Do ponto de vista da preservação, o lugar do parto (geralmente em casa), cercadas de outras mulheres, facilitava o clima para entrega do corpo para o nascimento. Talvez naquele momento vivessem a verdadeira experiência sexual de suas vidas.

Dizer que parto é sexo é traçar uma linha direta para algo que ninguém quer olhar. Por ser direto, choca. Por chocar gera revolta. As mulheres que sentem que perderam algo e vão fundo, investigam, redescobrem sua mulher selvagem, fazem as pazes com ela e podem, num novo parto ou na instância sexual de suas vidas, serem mais fêmeas, mais realizadas. As demais continuam nos xingando, dizendo que não são menos mãe, rotulando. É mais fácil apontar a ferida fora do que curar a de dentro. E se incomoda, acredite, há algo dentro de si que merece ser investigado.

Cultivamos ainda a sensação de pecado. Gozar é pecado. Sentir prazer ao parir, é pecado. Ser mãe é quase ganhar uma instância de Santa. Como se pureza e prazer não pudesse andar juntos. Ainda preferem vestir uma camisolinhas com buraco para parirem assim como nossas avós faziam sexo. Afinal, se parto é sexo, muitos partos e não partos se assemelham a um estupro.
Eu tive um orgasmo no momento do nascimento do meu filho. Primeiro eu senti o círculo de fogo, que parece aquela sensação de perder a virgindade: levemente dolorosa mas de um prazer da carne. Aí ele passou e quando seu corpo girava dentro de mim senti-me tocada interiormente de uma maneira tão intensa. Enquanto eu o abraçava com força com minhas intimidades, eu era acariciada interiormente como nenhuma outra vez pude ser. Os hormônios pulsantes, a presença do marido e seu cheiro, a luz baixa, a lua que sorria no céu, a vida que chegava rápida e natural como um orgasmo. Não sabia que poderia sentir aquilo. Afinal eu pensava que parto era uma coisa imaculada como a gestação. E tanto na gestação como no parto eu experimentei uma faceta selvagem, sexual do meu ser, que se despedia, não para sempre, mas naquela intensidade, no orgasmo do parto. Delicioso e intenso.
Não acho que o orgasmo no parto deva ser uma busca. Mas que nunca esqueçamos que o prazer em parir é nosso direito e a medida que permitimos que nossos instintos acordem poderemos vivenciar este prazer em uma instância física também.

Sempre há chance de aprender a gozar. Sempre há a chance de parir. E um não parto pode ser curado em uma amamentação prazerosa. É a força da vida em ação em outra faceta. O importante é não parar na ferida e se calar diante da dificuldade fingindo. Fingir que está tudo bem para agradar ao outro ou uma instancia de si mesmo, é covardia.
O primeiro passo é assumir. E saber que muitas vezes achamos que o dono do nosso prazer, do nosso parto, é o médico ou o parceiro. Aí nasce o erro. Quando assumimos que o parto é nosso, que o corpo é nosso e encontramos nossa maneira de expressão, podemos olhar ao longe a face da liberdade.Muitos não partos, muitos não orgasmos são um caminho tortuoso que encontramos para cuidar de nossa sexualidade.

Por fim, se nossas avós lutaram por uma verdadeira expressão da sexualidade feminina, hoje vejo que estamos desenhando o verdadeiro caminho da feminilidade. Com menos atributos externos que fazem vender coisas e mais fundamentos internos que fazem mudar o mundo."