"Bom dia.
Acho que ainda não me apresentei à lista.
Sou Andrea, tenho 34 anos, advogada em São Paulo-SP e grávida de 17 semanas do meu primeiro filho/filha.
Conheci o grupo pesquisando sobre gravidez e parto, estava bastante confiante no meu obstetra, quando perguntei-lhe sobre tipos e complicações de parto, ele adiou a conversa para uma próxima consulta...
Sobre a matéria divulgada no uol, concordo com o Dr Ricardo Herbert Jones:
"Na verdade, é muito mais importante humanizar o hospital do que tratar de partos domiciliares, porque a imensa maioria dos nascimentos no Brasil vai acontecer no hospital”.
E ainda acrescento, no meu humilde e restrito conhecimento do assunto, que é necessário humanizar os profissionais da área. Pelo que li até agora sobre as mulheres que tiveram uma desne-cesárea, elas foram induzidas pelo seu médico, que por qualquer motivo que na verdade não justifica uma cesárea, indicaram esse procedimento como necessário para sua saúde e do seu bebe.
Eu ainda não tenho um plano de parto, ainda não consegui definir meu parto natural.
Pelas consultas com meu agradável GO sei que ele indicará uma desne-cesárea diante de qualquer sinal que para ele nos coloque em risco. Sei que questionarei, mas não adiantará ir contra seus princípios. Se não estou satisfeita, tenho a opção de trocar, certo?
Errado. Tenho a opção de trocar por um outro GO que atenda meu plano de saúde. Mas qual médico que atende por plano de saúde aceitaria um parto humanizado? Não tenho notícias de nenhum, pelo menos os contatos que fiz com profissionais humanizados, ninguém soube indicar.
O que resta, seria um parto particular. Mas quem tem capacidade financeira de arcar com as despesas necessárias para um parto particular, seja hospitalar ou domiciliar?
Os raríssimos profissionais que atendem parto humanizado têm seu valor. Tanto valor profissional e moral, como valor financeiro. Não estou criticando-os. Admiro suas postura, garra e luta por mudanças na visão do parto normal em nosso país. Mas eles são acessíveis à uma pequeníssima parcela das gestantes.
Minha crítica é para os profissionais que criaram a cultura da cesárea. Os riscos cesárea x parto normal é divulgado e está à disposição de todos. Sendo os riscos de uma cesárea absurdamente maiores do que do parto normal, tendo nosso organismo (feminino) sido criado por Deus com a possibilidade maravilhosa de gestar, parir e ser mãe, por que quem mais entende, ou deveria entender, indica um procedimento que pode ser prejudicial e comprometer o nascimento do bebe?
Já li depoimentos de mães traumatizadas com suas cesáreas e principalmente revoltadas com a indicação de uma desne-cesárea, tomadas de surpresa num momento de emoção, a hora do parto e depois ao conhecerem o parto humanizado sentirem-se enganadas por seus médicos.
Desculpem o desabafo.
Minha indignação é com as dificuldades e obstáculos que encontramos para termos seguramente nossos filhos de forma natural, como Deus idealizou. "
Não entendeu nada? O texto acima seria uma resposta ou comentário que escrevi para enviar à uma lista/grupo virtual que participo de gestantes, mães e profissionais do parto humanizado e que resolvi não enviar, mas quis publicar aqui.
Essa foi uma das coisas que mais me surpreendeu nesta gestação, até o momento: o dilema parto normal x cesárea. Acredito que quem nunca engravidou, nunca tenha pesquisado e conhecido o assunto mais profundamente, como eu.
Fiquei surpresa e até decepcionada como puderam perceber no meu relato. É isso.
Ah, o link para a matéria citada:
http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2010/05/13/parto-humanizado-nao-e-sinonimo-de-dar-a-luz-em-casa-como-fez-gisele-bundchen.jhtm
17 de maio de 2010
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